sábado, 13 de Setembro de 2014

noites calmosas no parque #20


MIRANDA, Catarina - Noites Calmosas no Parque. Correio do Minho, ANO LXXVIII SÉRIE VI N.º 9399 (13 Set. 2014), p. 18.

sábado, 6 de Setembro de 2014

parque da cidade #19


MIRANDA, Catarina - Parque da Cidade. Correio do Minho, ANO LXXVIII SÉRIE VI N.º 9392 (6 de setembro 2014), p. 30.




sábado, 30 de Agosto de 2014

o amor é um poema


"A Paixão É Às Vezes... O Amor É Todos Os Dias...


"Chega à estação de Santa Apolónia... na mão direita... uma página em branco e uma rosa"


O mundo é cheio de pessoas e os dias cheios de infinito
mas são ínfimas as possibilidades de nascer um mito, 
e para fazer por isso, 
podemos tentar tornar o dia do outro mais bonito. 
Ele escolheu começar 
no dia dos namorados, 
uma rosa e um recado 
confiando no acaso 
mas ela não respondia 
e algum tempo passado
na falta de um mais-que-tudo 
o compromisso foi selado com o mundo
e se no fundo o amor é quotidiano 
faz sentido que o altar seja o metropolitano 
todos os dias do ano na última carruagem 
devoto na oferenda, uma flor e uma mensagem. 
Escrevia como para ela, 
em vida paralela 
e vinha de Santa Apolónia sentado à janela
e quando trocava no Marquês para a linha amarela
já trazia uma flor a menos na lapela. 
E lá estava o seu bilhete pendurado,
no sinal de alarme,
como combinado,
para lembrar a quem passava que o amor é inesperado, 
e que, como o perigo, pode estar em todo o lado.
O destino do vagão era o coração
o amador ou a que ama era a direcção da circulação
e cada dia era cumprida com dedicação 
a rotina que fazia da sua vida uma missão.
E como retribuição ele recebeu respostas,
à caixa do correio chegaram muitas propostas,
mulheres dispostas a tudo, lisboetas ou do mundo mas que no vagão do fundo sonharam com um futuro inspiradas no romance, 
sem chance, 
ele só queria uma e essa não estava ao alcance. 
365 dias depois,
depois de 365 poemas e flores 
chegada ao fim da promessa e despedida, 
era a última tulipa, a última missiva. 
No sinal de alarme na tarde de S.Valentim, leu-se:
a paixão é o início, o amor é o fim 
e já sem nenhuma esperança que ela lhe respondesse 
tingiu de algumas lágrimas esse último bilhete, 
foi de coração cinzento que na manhã seguinte 
tudo foi surpreendente mal saiu do número 20, 
havia flores e frases espalhadas pelas ruas,
nos postes, nos semáforos, nos carros, nas gruas, 
Palavras nas paredes, pétalas por todo o lado, 
poemas e papoilas e RAP a passar na rádio. 
Ele ia embasbacado no caminho da estação
que passou a primavera com as flores no corrimão 
E até na bilheteira se davam outros bilhetes, 
de admiradores secretos do metro nos seus ''flirts'', 
ele foi descendo a escada 
e na entrada da carruagem 
penduradas no alarme 
uma flor e uma mensagem. 
Pela primeira vez ele era o destinatário
era o 15 de fevereiro o seu aniversário. 
Cheirou a rosa vermelha enquanto abria a carta, 
a paixão é uma janela o amor é uma porta 
e ao lado estava uma entreaberta, 
e no recado era conhecida a letra, 
espreitou para a cabina e era ela
no lugar do maquinista à sua espera 
E ali debaixo da terra com um beijo de cinema, disse
a paixão é uma flor, o amor é um poema
E ali debaixo da terra com um beijo de cinema, disse
a paixão é uma flor, o amor é um poema


“Já dizia o poeta... a música é o vapor da arte... o que o sonho é para o pensamento...em Lisboa, esta manhã, já partiu, na última carruagem da linha azul... mais uma flor... já partiu o amor"


: sobre o Sinal de Alerta, que terá inspirado esta música :






quinta-feira, 28 de Agosto de 2014

V I Z Z I V

Nome de código: v i z. 
Ouve lá, estás no período da ovulação? 
Como é que sabes? 
São muitos anos de prática médica. 
A minha mãe é de Frossos e cagou-me em África. Somos 11. Todos vivos. 
Outra pergunta. Isso é a minha intimidade. Eu não tenho nada que me imiscuir no que está a escrever. Israel. Telavive.
Não te vou dizer a que horas mijo. 
Faz-lhe um filho! Achas? Acho. Está um óvulo à tua espera. Vais bater punhetas toda a vida? 
Aparece no instituto de medicina legal, ó cabeludo! 
Estávamos à mesa com a família toda e a gaja pergunta: o que é que come o cabeludo? 
Afinal o que é feito do baixista que eu conheço? Este gajo é bom, é muito bom. 
Cerveja com favaios, a bebida dos tóxicos, no café do bairro.
Dá-me aqui uma comichão, só me apetece drogar-me. 
Um homem de meia idade desmaia na rua e abre a cabeça. O cabeludo sabe que os riscos de passar a infecção são poucos e mete as mãos no sangue. Estás bem? Este gajo é informador. O cabeludo. 
Sabes que eu mandei prender o meu pai? Porquê? O homem era fascista. 
Ouve lá, porque é que eu achava que eras estrangeiro? 
São muitos anos a treinar a linguagem. Sou mesmo uma menina. És uma pedra, miúda!



©wheelhouse aka catarina basso

terça-feira, 19 de Agosto de 2014

175 anos


(há 175 anos atrás era anunciada a invenção da daguerreotipia)


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